Usted está aquí

Back to top
Sara
F. Costa

Actividad Cosmopoética

Cosmoversos (I) - Sala Orive 18/11/2021
19:00h
Entradas:

Entrada libre hasta completar aforo

Biografía

Sara F. Costa es licenciada en Estudios Chinos. Hasta la fecha ha publicado en Portugal cinco libros de poesía original y una antología de poesía china contemporánea seleccionada y traducida por ella. La transfiguración del hambre ganó el Premio Literario Internacional Glória de Sant’Anna a la mejor obra de poesía publicada en países de habla portuguesa en 2018. Tiene varios poemas traducidos en numerosas publicaciones de todo el mundo. Es columnista en el periódico Hoje Macau. Ha sido invitada a varios festivales literarios nacionales e internacionales en países como Polonia, Turquía, India y China. Colabora con el colectivo artístico internacional Spittoon (Pekín). En 2021 obtuvo una beca de creación literaria del gobierno portugués (DGLAB).

Poema

As sextas-feiras

desaparecem em cima da mesa.

depois reaparecem no verão

entretanto passeamos de bicicleta

sobre os significados das coisas

mas os passeios são de domingos.

as sextas-feiras tocam-me a pele

ao de leve

aparecem agregadas ao amor próprio.

as sextas-feiras tristes rastejam

pelo fim da tarde prometendo alívio

assegurando amor e descanso,

esperança tão profunda como os esgotos.

à sexta-feira escrevo o meu nome no selim

da tua bicicleta

pode ser este o fim-de-semana em que me chamas.

há anos que todos os dias são

sextas-feiras.

 

Pandemónio

a mãe pousa o pensamento

na inclinação da sala

os seus verbos deambulam

pelas horas proibidas das ruas

a criança jorra em todas as direções

a sua existência secreta

 

como um sismo

também a criança se vai sentar

ao longo das manhãs fechadas

à espera que lhe cresçam

olhos de gaivota.

 

sou vida-casa

na contemplação do fogo:

incêndio permanente

que embala as portas

e não deixa ninguém entrar

 

portas e janelas adormecidas

ao longo das cidades

que se escondem

em quartos abandonados

 

peixes felizes

escorrem das torneiras

em direção à náusea

e a casa desagua

no sossego de estar viva

 

repousa na respiração

das paredes

até ao quisto

no chão das palavras.

 

A literatura é uma fábrica

com miolos azuis

manhãs burguesas,

telefones ou telemóveis que vibram com os lábios

um automóvel, um prédio

um fascismo vulnerável

num horizonte proletário,

a lógica escorrega-me

diretamente da gargalhada,

mas o meu género é subgénero

asfixiado,

transpirado

transpira pelas paredes.

que venha o fado

ou então o gado, para facilitar,

talvez o gado.

 

Autores de la misma actividad